Vinte e cinco anos depois de "I'm A Slave 4 U" marcar a guinada mais ousada da carreira de Britney Spears, o coreógrafo responsável pela dança do clipe abriu o baú de lembranças e descreveu a cantora no auge como uma verdadeira força da natureza.

Em entrevista exclusiva à revista People, durante o Industry Dance Awards 2026, em Los Angeles, no dia 21 de outubro, Brian Friedman relembrou os bastidores do trabalho ao lado da artista, que na época tinha apenas 19 anos.

"Britney em 2001 era imparável", disse Friedman, hoje com 49 anos. "Ela era a melhor das melhores. Estava no topo do mundo, o que é uma loucura de pensar. Ela tinha 19 anos. Era só um bebê naquela época."

Lançada em setembro de 2001 como primeiro single do terceiro álbum da cantora, "Britney", a faixa chegou acompanhada de um clipe dirigido por Francis Lawrence que apontava para um som e um visual mais adultos. A coreografia foi criada por Friedman ao lado de Wade Robson.

O disco, aliás, também comemora 25 anos em 2026, período em que a artista liberou a faixa inédita "She'll Never Be Me" para celebrar o aniversário do álbum.



Uma coreografia feita sob medida

"Comigo, ela não coreografava de fato, mas sabia como deixar tudo com a cara dela", contou o profissional. "O dom de um grande coreógrafo é entregar a dança pensando no artista. Assim, quando ele executa, parece com ele, e não que está tentando ser outra pessoa."

"Acho que o Wade e eu sempre quisemos que tudo parecesse um improviso ou um freestyle dela", acrescentou.

Além de assinar rotinas marcantes de Spears como "Toxic", "Hold It Against Me", "Breathe On Me", "Overprotected" e "Till The World Ends", Friedman soma no currículo trabalhos com Beyoncé, Janet Jackson, Michael Jackson, Rihanna, Lady Gaga, Mariah Carey, Usher e Pink.

A mágica da inexperiência

Ao relembrar sua própria participação no projeto, Friedman destacou que também era jovem na época, com 23 anos, ainda que não se enxergasse assim. "Comecei na indústria muito cedo, então, na minha cabeça, eu já era um veterano experiente aos 23", brincou.

"Lembro que o processo foi tranquilo e fluiu muito rápido. Não era como eu coreografo hoje, de forma metódica, ficando preso aos meus pensamentos e questionando tudo", afirmou.

"Era aquela ingenuidade cega que a gente tem quando é mais jovem, uma ilusão saudável em que você acredita que tudo o que faz vai ser épico e não questiona nada. Acho que foi justamente por isso que ficou tão mágico."