A defesa de um palco sem política feita por James Hetfield rendeu uma resposta ácida de Roger Waters. Em participação no podcast da apresentadora Katie Halper, o ex-integrante do Pink Floyd - um dos artistas que mais levam ativismo para os shows - não poupou o vocalista do Metallica, a quem chamou de "imbecil sem empatia" e "péssimo músico".

O estopim na Sphere
A faísca partiu da residência do Metallica na Sphere, em Las Vegas. Durante uma das apresentações, Hetfield agradeceu o público e fez questão de delimitar o papel da banda no palco:

"O Metallica não está aqui, como alguns outros artistas, para influenciar vocês com baboseira, ok? Estamos aqui… sem baboseira… estamos aqui para esquecer de todas as coisas do mundo exterior. A agenda do Metallica é amor, energia e música pesada, baby!"




A resposta de Waters
O recado não caiu bem para o baixista inglês, que sempre defendeu o uso dos palcos como tribuna política. Visivelmente irritado durante a conversa com Halper (via Far Out Magazine), ele disparou: "Podemos parar de falar desse babaca? Estou muito entediado com ele. Ele só está mostrando que é um completo babaca. Tem um QI de aproximadamente três e, sinceramente, não sei por que estamos falando dele, porque ele não é ninguém."

Na sequência, o músico emendou uma alfinetada ao próprio talento do grupo: "É uma pena que esse babaca não tenha tido alguém por perto para explicar que ser gentil é muito mais importante do que toda aquela música alta, aqueles pulos e seja lá o que for. Ele pode ter algumas centenas de milhões de dólares ou seja lá quanto for, mas é um babaca e não é músico. Eu os ouvi tocando instrumentos acústicos, e eles não conseguiam tocar. Foi lamentável."

Hetfield e a política fora dos palcos

A posição do frontman não é nova. Em 2017, em entrevista ao jornal chileno La Tercera, ele já havia explicado por que prefere manter religião e política longe dos shows: "Eu sou um cantor e guitarrista em uma banda de rock. Eu odeio política. Não quero falar sobre política. O que é importante para mim é conectar as pessoas com a música. Política e religião separam as pessoas."

Para Waters, porém, o silêncio é justamente o problema: segundo ele, "dizer que a música não deve se misturar com a política é uma postura covarde". Não é a primeira vez que o ex-Pink Floyd mira um colega por se dizer neutro - há poucas semanas, ele usou argumento parecido para alfinetar Mick Jagger.