O Deezer anunciou nesta terça-feira (13) um recurso que promete agradar a quem anda incomodado com a enxurrada de músicas feitas por inteligência artificial. A plataforma francesa vai colocar à disposição dos assinantes um botão de liga e desliga capaz de remover por completo da experiência de audição as faixas totalmente geradas por IA. O lançamento global está previsto para acontecer antes do fim de 2026.
Na prática, com a chave acionada, músicas, álbuns e até os "artistas" inteiramente criados por IA deixam de aparecer nos resultados de busca do serviço. Quem preferir pode desativar a função a qualquer momento e voltar a ter acesso a esse tipo de conteúdo. A ideia, segundo a empresa, é permitir que o público se concentre apenas em criadores e criações humanas, caso queira.
Por que agora
O recurso é a evolução de uma estratégia que o Deezer vem construindo desde o início de 2025, quando se tornou o primeiro serviço de streaming a detectar, rotular e tirar das recomendações as faixas identificadas como 100% geradas por IA. Esse material já não entrava em playlists editoriais nem nas sugestões automáticas — agora o usuário ganha o poder de apagá-lo também das buscas.
Os números ajudam a entender a urgência. O Deezer afirma receber hoje cerca de 90 mil faixas totalmente geradas por IA por dia, contra 10 mil diárias quando ligou sua ferramenta de detecção, em janeiro de 2025. Em dias de pico, esse conteúdo chega a representar mais da metade de toda a música nova enviada à plataforma, embora responda por apenas 1% a 3% das reproduções.
O alvo é a fraude
Para a empresa, o objetivo por trás dessas remessas em massa é majoritariamente fraudulento. O Deezer calcula que até 85% dos streams gerados por faixas inteiramente de IA em 2025 foram fraudulentos e diz excluir reproduções manipuladas do cálculo de royalties. Em julho, a companhia já havia avisado que passaria a derrubar faixas de IA usadas em fraudes de streaming, além daquelas que ficaram seis meses ou mais sem nenhuma audição.
"A explosão do conteúdo gerado por IA continua impactando todo o ecossistema da música, e acreditamos em construir um futuro baseado em transparência e escolha, com respeito a artistas, compositores e fãs da música", afirmou Alexis Lanternier, CEO do Deezer. "Vimos uma clara demanda dos usuários pela possibilidade de filtrar a música gerada por IA, e agora estamos dando a todos a opção de remover esse conteúdo completamente da experiência no Deezer."
Ouvinte não distingue
A aposta no filtro tem respaldo em uma pesquisa que o próprio Deezer encomendou ao Ipsos, divulgada em novembro de 2025. O levantamento, feito com 9 mil pessoas em oito países, apontou que 45% dos usuários de streaming gostariam de filtrar totalmente as músicas 100% geradas por IA. O dado mais curioso, porém, é outro: 97% dos entrevistados não conseguiram diferenciar uma faixa feita inteiramente por IA de uma criada por humanos em um teste às cegas.
Desde que acionou a detecção, no começo de 2025, o Deezer diz ter identificado mais de 42 milhões de faixas de IA até agosto de 2026 e marcado mais de 14 milhões de álbuns. A tecnologia reconhece produções feitas com ferramentas como Suno, Udio e Riffusion, e vem sendo licenciada para o restante da indústria desde janeiro, tendo a sociedade francesa de direitos Sacem como primeira parceira.
Movimento da indústria
O Deezer não está sozinho. Ao longo deste ano, outras plataformas adotaram políticas para o conteúdo gerado por IA: o TIDAL passou a marcar essas faixas e deixou de pagar royalties sobre elas, o Qobuz criou o próprio sistema de detecção, a Apple Music começou a sinalizar esse tipo de produção e o Spotify iniciou testes com etiquetas e passou a identificar perfis de "artistas" de IA. O pano de fundo é um estudo da CISAC em parceria com a PMP Strategy, que estima em 24% a fatia da receita dos criadores sob risco até 2028 — o equivalente a uma perda potencial de 4 bilhões de euros.
Veja também: Deezer endurece regras após receber 75 mil músicas criadas por IA por dia
//vagalume.com.br/news/2026/04/21/deezer-endurece-regras-apos-receber-75-mil-musicas-criadas-por-ia-por-dia.html
Na prática, com a chave acionada, músicas, álbuns e até os "artistas" inteiramente criados por IA deixam de aparecer nos resultados de busca do serviço. Quem preferir pode desativar a função a qualquer momento e voltar a ter acesso a esse tipo de conteúdo. A ideia, segundo a empresa, é permitir que o público se concentre apenas em criadores e criações humanas, caso queira.
Por que agora
O recurso é a evolução de uma estratégia que o Deezer vem construindo desde o início de 2025, quando se tornou o primeiro serviço de streaming a detectar, rotular e tirar das recomendações as faixas identificadas como 100% geradas por IA. Esse material já não entrava em playlists editoriais nem nas sugestões automáticas — agora o usuário ganha o poder de apagá-lo também das buscas.
Os números ajudam a entender a urgência. O Deezer afirma receber hoje cerca de 90 mil faixas totalmente geradas por IA por dia, contra 10 mil diárias quando ligou sua ferramenta de detecção, em janeiro de 2025. Em dias de pico, esse conteúdo chega a representar mais da metade de toda a música nova enviada à plataforma, embora responda por apenas 1% a 3% das reproduções.
O alvo é a fraude
Para a empresa, o objetivo por trás dessas remessas em massa é majoritariamente fraudulento. O Deezer calcula que até 85% dos streams gerados por faixas inteiramente de IA em 2025 foram fraudulentos e diz excluir reproduções manipuladas do cálculo de royalties. Em julho, a companhia já havia avisado que passaria a derrubar faixas de IA usadas em fraudes de streaming, além daquelas que ficaram seis meses ou mais sem nenhuma audição.
"A explosão do conteúdo gerado por IA continua impactando todo o ecossistema da música, e acreditamos em construir um futuro baseado em transparência e escolha, com respeito a artistas, compositores e fãs da música", afirmou Alexis Lanternier, CEO do Deezer. "Vimos uma clara demanda dos usuários pela possibilidade de filtrar a música gerada por IA, e agora estamos dando a todos a opção de remover esse conteúdo completamente da experiência no Deezer."
Ouvinte não distingue
A aposta no filtro tem respaldo em uma pesquisa que o próprio Deezer encomendou ao Ipsos, divulgada em novembro de 2025. O levantamento, feito com 9 mil pessoas em oito países, apontou que 45% dos usuários de streaming gostariam de filtrar totalmente as músicas 100% geradas por IA. O dado mais curioso, porém, é outro: 97% dos entrevistados não conseguiram diferenciar uma faixa feita inteiramente por IA de uma criada por humanos em um teste às cegas.
Desde que acionou a detecção, no começo de 2025, o Deezer diz ter identificado mais de 42 milhões de faixas de IA até agosto de 2026 e marcado mais de 14 milhões de álbuns. A tecnologia reconhece produções feitas com ferramentas como Suno, Udio e Riffusion, e vem sendo licenciada para o restante da indústria desde janeiro, tendo a sociedade francesa de direitos Sacem como primeira parceira.
Movimento da indústria
O Deezer não está sozinho. Ao longo deste ano, outras plataformas adotaram políticas para o conteúdo gerado por IA: o TIDAL passou a marcar essas faixas e deixou de pagar royalties sobre elas, o Qobuz criou o próprio sistema de detecção, a Apple Music começou a sinalizar esse tipo de produção e o Spotify iniciou testes com etiquetas e passou a identificar perfis de "artistas" de IA. O pano de fundo é um estudo da CISAC em parceria com a PMP Strategy, que estima em 24% a fatia da receita dos criadores sob risco até 2028 — o equivalente a uma perda potencial de 4 bilhões de euros.
Veja também: Deezer endurece regras após receber 75 mil músicas criadas por IA por dia
//vagalume.com.br/news/2026/04/21/deezer-endurece-regras-apos-receber-75-mil-musicas-criadas-por-ia-por-dia.html







