Há exatamente 20 anos, uma apresentação de dance music numa tarde de sábado na TV virou, sem querer, um dos primeiros grandes memes da internet brasileira. Em 7 de outubro de 2006, o grupo carioca Kasino cantou "Can't Get Over" no "Sabadaço", e nada mais foi igual.

Quem deu o tom do momento foi o apresentador Gilberto Barros, o Leão. Empolgado diante do grupo, ele soltou gritos como "aê Kasinão", "vai Kasinão" e "o som da noite", bordões que transformaram a performance num clássico involuntário da televisão dos anos 2000.



Do palco para a internet

Na época, a internet brasileira ainda engatinhava, mas o vídeo atravessou o tempo. Recuperado em cortes, remixes e reações, o registro acumulou milhões de visualizações nas redes e ajudou a manter "Can't Get Over" entre as faixas mais lembradas da dance music da década.



O lado difícil do fenômeno

Nem todo mundo recebeu a brincadeira com leveza. Fernando Ninô, ex-vocalista do Kasino, contou em 2020, ao canal de Maikon Zambido, que levou tempo para enxergar a repercussão como carinho.

"O meme me afetou porque não via só como uma forma de carinho, via como deboche, para me depreciar. Demorei a entender", afirmou.

Com o passar dos anos, o próprio grupo passou a abraçar o fenômeno, usando o bordão "vai Kasinão" em conteúdos ligados à banda e transformando o constrangimento inicial em parte da sua trajetória.

O 'Sabadaço' e o 'Leão'

Exibido entre 2002 e 2007, o "Sabadaço" ocupava boa parte das tardes de sábado da Band, do meio-dia às 18h, com apresentações musicais, entrevistas, quadros de auditório e reportagens.

Gilberto Barros também comandava o "Boa Noite, Brasil", de segunda a sexta. Foi nele que nasceu outro momento inesquecível para os internautas: a discussão sobre as cartas de "Yu-Gi-Oh!", apelidada de "baralho do diabo".

Por onde anda Gilberto Barros

Depois de deixar a Band em 2009, o apresentador passou pela RedeTV! até 2015 e hoje mantém projetos na internet, pelo site e pelo canal "TV Leão". Procurado em abril para falar sobre as duas décadas do episódio, ele preferiu não comentar, justamente pela ligação do tema com o meme.

Vinte anos depois, o "Aê Kasinão" segue circulando: uma cápsula dos anos 2000 em que um bordão improvisado, uma apresentação musical e a reação de um apresentador bastaram para criar uma memória que atravessa gerações.