O rapper Macklemore não vai concluir a série de shows que fazia como atração de abertura de Ed Sheeran nos Estados Unidos. A decisão partiu dos próprios estádios: segundo a Messina Touring Group, responsável pela etapa americana da Loop Tour, várias casas de shows avisaram que não receberiam o artista, e tirá-lo do line-up foi o caminho encontrado para manter a agenda de pé.
(Foto: Jake Magraw / Reprodução Instagram)
Em comunicado enviado à Rolling Stone, a promotora justificou a saída: "Fomos notificados, pelas casas de shows das próximas datas da turnê americana, que elas não permitirão a realização de shows com Macklemore na programação, o que resultaria no cancelamento da turnê e impactaria centenas de milhares de fãs. Após discussões com as partes interessadas, Macklemore não se apresentará nas datas restantes da turnê de abertura."
O veto atinge oito das dez apresentações que ainda faltam nos EUA. A turnê é retomada nesta sexta-feira, 19 de setembro, na Filadélfia. Entre os locais que teriam recusado o rapper estão o Lincoln Financial Field (Filadélfia), o Gillette Stadium (Foxborough, Massachusetts), o Mercedes-Benz Stadium (Atlanta), o Lucas Oil Stadium (Indianápolis), o Bank of America Stadium (Charlotte), o AT&T Stadium (Arlington, Texas) e o Raymond James Stadium (Tampa).
O que motivou a reação
Macklemore entrou na Loop Tour no início de setembro, com duas apresentações no MetLife Stadium, nos arredores de Nova York, nos dias 4 e 5. Foi ali que o rapper de Seattle gritou "Palestina Livre", exibiu imagens da destruição em Gaza e cantou "Hind's Hall" Hind's Hall, faixa de protesto dedicada aos estudantes pró-Palestina que ocuparam um prédio da Universidade Columbia e o rebatizaram em memória de Hind Rajab, menina de seis anos morta em Gaza.
"Uma grande parte da razão pela qual eu quis fazer esta turnê foi para poder subir em estádios como este e dizer duas palavras que são muito importantes para mim: 'Palestina Livre'", declarou no primeiro show. "Quero que essas palavras sejam ouvidas em alto e bom som, para que as pessoas em Gaza e na Cisjordânia ocupada saibam que não nos esquecemos delas."
Pressão de grupos pró-Israel
As falas provocaram forte reação. O grupo StopAntisemitism acusou o artista de surpreender o público com "propaganda anti-Israel", em publicação repercutida pela cantora Pink. Ela, porém, fez questão de matizar sua posição: disse que não pediu a demissão de ninguém e que apenas queria expressar, como mãe judia, que a situação a assustou — posicionamento detalhado em [outra manifestação da cantora](//vagalume.com.br/news/2026/09/11/pink-quebra-o-silencio-sobre-ataque-a-macklemore-me-posiciono-pelo-meu-povo.html).
O Conselho Israelense-Americano chegou a lançar uma petição cobrando que Sheeran afastasse o convidado. No segundo show no MetLife, Macklemore respondeu diretamente aos judeus presentes: "Críticas a Israel, críticas ao apartheid, ser contra o genocídio não são, de forma alguma, críticas a vocês. Minha mensagem é pela paz; pelo amor a todos os seres humanos, para que sejam tratados com dignidade, respeito e igualdade."
Grupos humanitários e uma comissão das Nações Unidas afirmam que as ações de Israel em Gaza configuram genocídio, acusação negada por Israel e por aliados, entre eles os Estados Unidos.
Questão de liberdade de expressão
Nenhum dos estádios explicou publicamente a recusa. Como boa parte deles é administrada por cidades, estados ou órgãos públicos, o caso pode esbarrar na Primeira Emenda da Constituição americana, que protege a liberdade de expressão. Situação parecida ocorreu no próprio Raymond James Stadium, em Tampa, que neste ano manteve dois shows de Kanye West mesmo diante de pedidos de cancelamento; especialistas apontaram na ocasião que barrar um artista por falas anteriores poderia ser lido como censura estatal.
A etapa norte-americana da Loop Tour segue até 7 de novembro, encerrando justamente em Tampa, e Sheeran continuará acompanhado dos convidados Lukas Graham e Aaron Rowe. Uma perna sul-americana está prevista entre novembro e dezembro.
(Foto: Jake Magraw / Reprodução Instagram)
Em comunicado enviado à Rolling Stone, a promotora justificou a saída: "Fomos notificados, pelas casas de shows das próximas datas da turnê americana, que elas não permitirão a realização de shows com Macklemore na programação, o que resultaria no cancelamento da turnê e impactaria centenas de milhares de fãs. Após discussões com as partes interessadas, Macklemore não se apresentará nas datas restantes da turnê de abertura."
O veto atinge oito das dez apresentações que ainda faltam nos EUA. A turnê é retomada nesta sexta-feira, 19 de setembro, na Filadélfia. Entre os locais que teriam recusado o rapper estão o Lincoln Financial Field (Filadélfia), o Gillette Stadium (Foxborough, Massachusetts), o Mercedes-Benz Stadium (Atlanta), o Lucas Oil Stadium (Indianápolis), o Bank of America Stadium (Charlotte), o AT&T Stadium (Arlington, Texas) e o Raymond James Stadium (Tampa).
O que motivou a reação
Macklemore entrou na Loop Tour no início de setembro, com duas apresentações no MetLife Stadium, nos arredores de Nova York, nos dias 4 e 5. Foi ali que o rapper de Seattle gritou "Palestina Livre", exibiu imagens da destruição em Gaza e cantou "Hind's Hall" Hind's Hall, faixa de protesto dedicada aos estudantes pró-Palestina que ocuparam um prédio da Universidade Columbia e o rebatizaram em memória de Hind Rajab, menina de seis anos morta em Gaza.
"Uma grande parte da razão pela qual eu quis fazer esta turnê foi para poder subir em estádios como este e dizer duas palavras que são muito importantes para mim: 'Palestina Livre'", declarou no primeiro show. "Quero que essas palavras sejam ouvidas em alto e bom som, para que as pessoas em Gaza e na Cisjordânia ocupada saibam que não nos esquecemos delas."
Pressão de grupos pró-Israel
As falas provocaram forte reação. O grupo StopAntisemitism acusou o artista de surpreender o público com "propaganda anti-Israel", em publicação repercutida pela cantora Pink. Ela, porém, fez questão de matizar sua posição: disse que não pediu a demissão de ninguém e que apenas queria expressar, como mãe judia, que a situação a assustou — posicionamento detalhado em [outra manifestação da cantora](//vagalume.com.br/news/2026/09/11/pink-quebra-o-silencio-sobre-ataque-a-macklemore-me-posiciono-pelo-meu-povo.html).
O Conselho Israelense-Americano chegou a lançar uma petição cobrando que Sheeran afastasse o convidado. No segundo show no MetLife, Macklemore respondeu diretamente aos judeus presentes: "Críticas a Israel, críticas ao apartheid, ser contra o genocídio não são, de forma alguma, críticas a vocês. Minha mensagem é pela paz; pelo amor a todos os seres humanos, para que sejam tratados com dignidade, respeito e igualdade."
Grupos humanitários e uma comissão das Nações Unidas afirmam que as ações de Israel em Gaza configuram genocídio, acusação negada por Israel e por aliados, entre eles os Estados Unidos.
Questão de liberdade de expressão
Nenhum dos estádios explicou publicamente a recusa. Como boa parte deles é administrada por cidades, estados ou órgãos públicos, o caso pode esbarrar na Primeira Emenda da Constituição americana, que protege a liberdade de expressão. Situação parecida ocorreu no próprio Raymond James Stadium, em Tampa, que neste ano manteve dois shows de Kanye West mesmo diante de pedidos de cancelamento; especialistas apontaram na ocasião que barrar um artista por falas anteriores poderia ser lido como censura estatal.
A etapa norte-americana da Loop Tour segue até 7 de novembro, encerrando justamente em Tampa, e Sheeran continuará acompanhado dos convidados Lukas Graham e Aaron Rowe. Uma perna sul-americana está prevista entre novembro e dezembro.








