O grupo sul-coreano aespa passou pelo Brasil e pelo Chile no intervalo de dois dias, mas foi a diferença entre as duas paradas que dominou as conversas entre os fãs. Vídeos que circulam nas redes colocaram lado a lado o tratamento dado ao público de cada país no chamado "send-off" — e, para os brasileiros, o saldo foi de frustração.

O send-off é um evento pós-show vendido à parte, no qual quem paga pelo pacote mais caro deveria ter um momento de despedida próximo das cantoras. Em São Paulo, no dia 4 de setembro, muitos relataram que a experiência não passou de um aceno rápido enquanto Karina, Giselle, Winter e NingNing cruzavam a área escoltadas pela segurança.

Segundo compradores, a interação "não durou nem cinco segundos". A conta de fãs info aespa Brasil resumiu o clima: "Que frustração foi esse send-off, de verdade. A SM precisa, no mínimo, respeitar os MYs (grupo de fãs) que passaram o dia inteiro debaixo de sol e, posteriormente, de chuva", escreveu, em referência ao fandom do grupo.

Dois dias depois, no dia 6, a passagem por Santiago teve tom oposto. As próprias integrantes publicaram fotos ao lado do público chileno e agradeceram a recepção com uma mensagem de "muito obrigada por toda a energia". Para parte dos fãs, o contraste ficou evidente: enquanto no Chile o encontro foi caloroso, em São Paulo a segurança teria apressado o grupo e impedido a entrega de presentes.

Veja a seguir:



Reação nas redes

Nas redes, a comparação rendeu acusações duras. Alguns internautas classificaram a postura como desrespeitosa com o público latino-americano, e o episódio ganhou tração também na Coreia do Sul, onde o caso foi noticiado pela imprensa.

O ponto que mais irritou os brasileiros, porém, foi o preço. No Brasil, o pacote Send-Off VIP foi vendido por cerca de R$ 2.689, somando o ingresso das áreas Pit A e B (R$ 990) e os serviços VIP (R$ 1.699).

No Chile, o mesmo tipo de pacote saiu por 320.543 pesos chilenos — o equivalente a aproximadamente R$ 1.760. Na prática, quem comprou o pacote mais caro em São Paulo pagou perto de R$ 900 a mais do que o fã chileno por uma despedida que, segundo os relatos, foi ainda mais curta.

Diante da repercussão, a conta info aespa Brasil informou estar reunindo relatos e comprovantes dos compradores do send-off para avaliar medidas junto ao Procon e uma eventual ação judicial.

O que diz a orgnaização do evento

Em nota divulgada pela imprensa, a organização atribuiu parte dos problemas ao clima: segundo a explicação, as condições de tempo em São Paulo, com calor durante o dia e chuva à noite, teriam afetado as integrantes. A produção também negou que músicas tivessem sido cortadas do repertório, afirmando que as faixas ausentes não faziam parte do roteiro previsto para esta etapa da turnê.

A revolta com o valor cobrado em São Paulo já vinha antes mesmo da comparação com o Chile.

As apresentações fazem parte da turnê mundial SYNK: COMPLæXITY. Em São Paulo, o show reuniu mais de 21 mil pessoas na Mercado Livre Arena Pacaembu; em Santiago, o Movistar Arena recebeu público próximo da capacidade. No palco, o quarteto passou por sucessos como "Whiplash" e "Supernova".