Eram cinco da manhã e Courtney Love estava no palco de uma boate de striptease quando o telefone tocou. Do outro lado da linha, Billy Gould, baixista do Faith No More, avisava que ela não fazia mais parte da banda.
(Foto: Imagem gerada por IA)
O episódio pouco conhecido voltou à tona em entrevista recente de Gould a Jadranka Janković Nešić, na qual o músico recuperou os primórdios do grupo de San Francisco e a passagem-relâmpago da futura líder do Hole pela formação, ainda em 1984.
A demissão às cinco da manhã
Segundo o baixista, a dispensa foi abrupta e por telefone. "Eu contei que ela não estava mais na banda, e ela estava trabalhando em uma boate de striptease. Eu liguei para ela durante o intervalo dela. Eu sabia que o intervalo era, tipo, cinco da manhã. E falei que ela estava demitida", relembrou.
A resposta de Courtney foi à altura da fama que a acompanharia nas décadas seguintes. "Eu estou aqui me despindo no palco, me fodendo pela banda, e você vem me dizer que eu fui demitida?", disparou, segundo Gould. "Eu bati o telefone na hora. Foi assim que tudo terminou."
Uma passagem de quase um ano
Apesar do fim conturbado, Gould falou da ex-companheira de banda em tom elogioso. "Ela foi [parte da banda], por quase um ano. Ela foi meio que legal lá no início. A Courtney é a Courtney, certo?", afirmou. "Ela é uma pessoa bem complexa. Eu não a vejo faz, tipo, 30 anos."
O baixista creditou à intensidade da cantora parte da postura que o grupo desenvolveria no palco. "Ela era ótima no palco, ela era destemida enquanto, talvez, o restante de nós era inseguro", disse. Ele contou que tinha 18 ou 19 anos e ainda tocava olhando para os próprios pés.
"Ela estava encarando as pessoas e as insultando. Ou você a amava ou a odiava", completou. Para Gould, foi com Courtney que a banda aprendeu a perder o medo do palco e a se assumir provocadora.
Antes do Hole, de Cobain e da fama
A passagem de Courtney pelo Faith No More antecede em muito sua projeção como líder do Hole, o casamento com Kurt Cobain e a explosão do grunge. Na época, o grupo tinha acabado de deixar de se chamar Faith No Man e ainda procurava uma identidade.
Com o núcleo formado por Gould, Mike Bordin e Roddy Bottum, a banda rodava vocalistas e guitarristas sem parar. Courtney foi uma das vozes testadas antes da chegada de Chuck Mosley, o primeiro cantor fixo, que assumiu o microfone em faixas como "We Care A Lot".
Foi só com a chegada de Mike Patton em 1988 que a banda encontrou a formação definitiva e emplacaria clássicos como "Epic", do álbum "The Real Thing" (1989).
Courtney, por sua vez, seguiria o caminho oposto até virar uma das figuras mais comentadas do rock à frente do Hole, dona de hinos como "Celebrity Skin".
Faith No More volta ao Brasil em 2027
O reencontro do público brasileiro com o Faith No More está marcado para 2027, encerrando um hiato de 12 anos. A banda divide a noite com o System of a Down no Maracanã, no Rio de Janeiro, em 15 de janeiro.
(Foto: Imagem gerada por IA)
O episódio pouco conhecido voltou à tona em entrevista recente de Gould a Jadranka Janković Nešić, na qual o músico recuperou os primórdios do grupo de San Francisco e a passagem-relâmpago da futura líder do Hole pela formação, ainda em 1984.
A demissão às cinco da manhã
Segundo o baixista, a dispensa foi abrupta e por telefone. "Eu contei que ela não estava mais na banda, e ela estava trabalhando em uma boate de striptease. Eu liguei para ela durante o intervalo dela. Eu sabia que o intervalo era, tipo, cinco da manhã. E falei que ela estava demitida", relembrou.
A resposta de Courtney foi à altura da fama que a acompanharia nas décadas seguintes. "Eu estou aqui me despindo no palco, me fodendo pela banda, e você vem me dizer que eu fui demitida?", disparou, segundo Gould. "Eu bati o telefone na hora. Foi assim que tudo terminou."
Uma passagem de quase um ano
Apesar do fim conturbado, Gould falou da ex-companheira de banda em tom elogioso. "Ela foi [parte da banda], por quase um ano. Ela foi meio que legal lá no início. A Courtney é a Courtney, certo?", afirmou. "Ela é uma pessoa bem complexa. Eu não a vejo faz, tipo, 30 anos."
O baixista creditou à intensidade da cantora parte da postura que o grupo desenvolveria no palco. "Ela era ótima no palco, ela era destemida enquanto, talvez, o restante de nós era inseguro", disse. Ele contou que tinha 18 ou 19 anos e ainda tocava olhando para os próprios pés.
"Ela estava encarando as pessoas e as insultando. Ou você a amava ou a odiava", completou. Para Gould, foi com Courtney que a banda aprendeu a perder o medo do palco e a se assumir provocadora.
Antes do Hole, de Cobain e da fama
A passagem de Courtney pelo Faith No More antecede em muito sua projeção como líder do Hole, o casamento com Kurt Cobain e a explosão do grunge. Na época, o grupo tinha acabado de deixar de se chamar Faith No Man e ainda procurava uma identidade.
Com o núcleo formado por Gould, Mike Bordin e Roddy Bottum, a banda rodava vocalistas e guitarristas sem parar. Courtney foi uma das vozes testadas antes da chegada de Chuck Mosley, o primeiro cantor fixo, que assumiu o microfone em faixas como "We Care A Lot".
Foi só com a chegada de Mike Patton em 1988 que a banda encontrou a formação definitiva e emplacaria clássicos como "Epic", do álbum "The Real Thing" (1989).
Courtney, por sua vez, seguiria o caminho oposto até virar uma das figuras mais comentadas do rock à frente do Hole, dona de hinos como "Celebrity Skin".
Faith No More volta ao Brasil em 2027
O reencontro do público brasileiro com o Faith No More está marcado para 2027, encerrando um hiato de 12 anos. A banda divide a noite com o System of a Down no Maracanã, no Rio de Janeiro, em 15 de janeiro.








