Quase 30 anos depois de Tupac Shakur ser baleado em Las Vegas, um tribunal do Condado de Clark começou nesta segunda-feira (17) o julgamento de Duane "Keffe D" Davis, apontado pela promotoria como o homem que organizou o crime. Em sua fala inicial, o vice-promotor distrital-chefe Binu Palal descreveu o episódio como "um ato de vingança".
(Foto: Raymond Boyd / Getty Images)
Davis, de 63 anos, responde por uma única acusação de homicídio e se declarou inocente. Ele está preso desde setembro de 2023 e, segundo a própria defesa, havia deixado a vida ligada a gangues em 2008 para trabalhar como inspetor de refinaria antes de se aposentar.
Boa parte da estratégia da acusação se apoia nas palavras do próprio réu. Palal afirmou aos jurados que Davis teria admitido sua participação em uma "entrevista secreta de 2008" com autoridades, além de repetir o relato em aparições públicas e no livro de memórias "Compton Street Legend", publicado em 2019.
No trecho da gravação exibido no tribunal, Davis narra seu carro emparelhando com a BMW que levava Shakur e Suge Knight na noite de 7 de setembro de 1996. Segundo a acusação, ele teria repassado a arma para outro ocupante do veículo, e o disparo fatal partiu de seu sobrinho, Orlando "Baby Lane" Anderson, morto em 1998.
"Duane 'Keffe D' Davis não puxou o gatilho. Mas o que fez foi planejar a retaliação pela surra no sobrinho. Vocês vão saber que Davis conseguiu a arma", disse Palal aos jurados. Para a promotoria, o motivo foi a raiva por uma briga entre Shakur e Anderson horas antes, dentro do MGM Grand, após uma luta de boxe de Mike Tyson.
A defesa seguiu caminho oposto. O advogado Michael Sanft questionou por que Davis nunca foi acusado logo depois da suposta confissão de 2008. "É porque sabiam que ele estava falando besteira; caso contrário, teriam acusado. Por que não fariam?", afirmou. Para Sanft, as declarações do réu não passaram de exibicionismo para vender livros e entrevistas.
A morte de Shakur virou um dos casos mais notórios de Las Vegas e é frequentemente ligada à guerra entre o rap da Costa Leste e o da Costa Oeste, que opôs a Death Row Records, de Knight, à Bad Boy Records, de Sean Combs. Essa rivalidade ficou registrada em faixas de resposta como "Hit 'em Up", e o outro grande nome da disputa, The Notorious B.I.G., também morreu em um tiroteio, em 1997.
Entre as primeiras testemunhas, o ex-policial Garry Dale relembrou ter acompanhado Shakur na ambulância. Ao ser perguntado quem eram os atiradores, o rapper se recusou a responder. "Não, nós vamos cuidar disso", teria dito Shakur, segundo o depoimento. O cantor morreu seis dias após o ataque, aos 25 anos.
O episódio já rendeu outras revelações sobre os últimos dias do artista, como mostramos quando um ex-CEO da Death Row afirmou que Tupac pediu ajuda à mãe para morrer após o tiroteio. O caso também figura entre as maiores brigas da história da música.
Mesmo três décadas depois, o legado de Shakur permanece vivo em clássicos como "Dear Mama", "Changes" e "California Love", que seguem entre as músicas mais ouvidas do rapper.
(Foto: Raymond Boyd / Getty Images)
Davis, de 63 anos, responde por uma única acusação de homicídio e se declarou inocente. Ele está preso desde setembro de 2023 e, segundo a própria defesa, havia deixado a vida ligada a gangues em 2008 para trabalhar como inspetor de refinaria antes de se aposentar.
Boa parte da estratégia da acusação se apoia nas palavras do próprio réu. Palal afirmou aos jurados que Davis teria admitido sua participação em uma "entrevista secreta de 2008" com autoridades, além de repetir o relato em aparições públicas e no livro de memórias "Compton Street Legend", publicado em 2019.
No trecho da gravação exibido no tribunal, Davis narra seu carro emparelhando com a BMW que levava Shakur e Suge Knight na noite de 7 de setembro de 1996. Segundo a acusação, ele teria repassado a arma para outro ocupante do veículo, e o disparo fatal partiu de seu sobrinho, Orlando "Baby Lane" Anderson, morto em 1998.
"Duane 'Keffe D' Davis não puxou o gatilho. Mas o que fez foi planejar a retaliação pela surra no sobrinho. Vocês vão saber que Davis conseguiu a arma", disse Palal aos jurados. Para a promotoria, o motivo foi a raiva por uma briga entre Shakur e Anderson horas antes, dentro do MGM Grand, após uma luta de boxe de Mike Tyson.
A defesa seguiu caminho oposto. O advogado Michael Sanft questionou por que Davis nunca foi acusado logo depois da suposta confissão de 2008. "É porque sabiam que ele estava falando besteira; caso contrário, teriam acusado. Por que não fariam?", afirmou. Para Sanft, as declarações do réu não passaram de exibicionismo para vender livros e entrevistas.
A morte de Shakur virou um dos casos mais notórios de Las Vegas e é frequentemente ligada à guerra entre o rap da Costa Leste e o da Costa Oeste, que opôs a Death Row Records, de Knight, à Bad Boy Records, de Sean Combs. Essa rivalidade ficou registrada em faixas de resposta como "Hit 'em Up", e o outro grande nome da disputa, The Notorious B.I.G., também morreu em um tiroteio, em 1997.
Entre as primeiras testemunhas, o ex-policial Garry Dale relembrou ter acompanhado Shakur na ambulância. Ao ser perguntado quem eram os atiradores, o rapper se recusou a responder. "Não, nós vamos cuidar disso", teria dito Shakur, segundo o depoimento. O cantor morreu seis dias após o ataque, aos 25 anos.
O episódio já rendeu outras revelações sobre os últimos dias do artista, como mostramos quando um ex-CEO da Death Row afirmou que Tupac pediu ajuda à mãe para morrer após o tiroteio. O caso também figura entre as maiores brigas da história da música.
Mesmo três décadas depois, o legado de Shakur permanece vivo em clássicos como "Dear Mama", "Changes" e "California Love", que seguem entre as músicas mais ouvidas do rapper.








