Nem a memória de um dos maiores clássicos do rock escapou da inteligência artificial. O guitarrista Brian May, do Queen, resolveu testar a Meta AI nesta terça-feira (11) e pediu que a ferramenta recriasse a capa de "The Game", disco de 1980 da banda. O que apareceu na tela deixou o músico perplexo.
(Foto: Reprodução Instagram Brian May / criado por IA)

Em vez dos quatro integrantes da formação clássica, a imagem trouxe cinco pessoas, com feições distorcidas e uma versão de Freddie Mercury que passou longe do original. May publicou o resultado no Instagram e transformou o erro em desabafo contra o avanço da tecnologia.

"Eu tinha que compartilhar isso com vocês. Pedi à Meta AI para me mostrar como era a capa do álbum 'The Game'. Isto é o que me deu! Bom trabalho, hein? Então, este é o tipo de inteligência que em breve vai governar o mundo?!", começou o guitarrista.




"Talvez este seja o momento de perceber que NÃO PRECISAMOS DE IA! Mas agora estou falando muito sério. Acredito que o preço que estamos prestes a pagar por este desenvolvimento 'inevitável' é demasiado alto", continuou.

A crítica ficou ainda mais dura quando ele mirou a infraestrutura por trás da tecnologia, os grandes centros de processamento de dados.

"Não podemos permitir que estes centros de processamento de dados hediondos sejam construídos no Reino Unido. Eles vão destruir o nosso belo país, como já estão a destruir os belos EUA. Querido Andy, você precisa parar agora. Antes que seja tarde demais", completou.

O apelo foi endereçado a Andy Burnham, nome ligado à administração da Grande Manchester. Em março deste ano, autoridades da região aprovaram um plano para posicioná-la como polo de inteligência artificial, com direito a uma central de processamento de dados regional.

O episódio reacende um debate que cresce no Reino Unido sobre o equilíbrio entre os ganhos econômicos prometidos pela IA e os custos ambientais e de infraestrutura para sustentar esses sistemas.

Ironia à parte, "The Game" foi o oitavo álbum de estúdio do Queen e um marco na carreira do grupo, com Freddie Mercury, May, Roger Taylor e John Deacon na formação clássica. O disco emplacou faixas que seguem entre as mais ouvidas da banda.

Queen


Entre elas está "Crazy Little Thing Called Love", o rockabilly que rendeu ao Queen o primeiro número 1 nos Estados Unidos.



O trabalho também trouxe "Another One Bites The Dust", cujo groove dançante virou um dos maiores sucessos comerciais do grupo.



Para fechar, a balada "Save Me" revela o lado mais dramático da banda no mesmo disco.