Pouco mais de um mês após a morte de Oliver Tree, quem conviveu de perto com o artista voltou a se reunir para lembrá-lo. No último fim de semana, fãs, familiares e amigos se encontraram em Santa Cruz, na Califórnia, cidade onde o cantor cresceu, para uma celebração da sua vida e da sua trajetória. Coube à mãe do músico, Christine Nickell, quebrar o silêncio e dividir publicamente, pela primeira vez, como foi o último contato entre os dois.

O cantor e compositor morreu em 14 de junho, aos 32 anos, em um acidente de helicóptero no Rio de Janeiro, que também tirou a vida de outras cinco pessoas. A comoção foi imediata entre os fãs, e o luto ganhou contornos ainda maiores quando a equipe do artista cumpriu um último desejo dele e anunciou a criação de uma fundação em sua memória.

De acordo com Christine, o último papo entre mãe e filho aconteceu na véspera da tragédia. Ela havia enviado uma mensagem cobrando a promessa que Oliver fizera de largar o cigarro durante a turnê, e a resposta veio no melhor estilo do artista: "Ele me ligou no FaceTime na hora e soltou uma baforada enorme de fumaça de cigarro no meu rosto", contou, entre o bom humor e a saudade.

Mais do que a brincadeira, ficou a impressão de um filho em paz. "Ele estava tão feliz e animado com a vida naquele dia. Disse que no dia seguinte ia de helicóptero até uma casa no topo de uma montanha para fazer TikToks e música com os amigos. Ele adorava ter dias épicos, cada um mais memorável do que o anterior", relembrou.

A despedida em Santa Cruz reuniu nomes conhecidos do meio artístico. O produtor Diplo definiu Oliver como a pessoa mais descolada que já cruzou seu caminho, enquanto o criador de conteúdo Logan Paul, amigo próximo do cantor, escolheu o humor para se despedir. Fiel ao espírito do músico, brincou que ele devia estar "assistindo a tudo lá do céu, super decepcionado com essa produção".

Logo depois, veio o tom afetuoso: "Oliver era o melhor amigo de todo mundo. Era um aventureiro, com um amor inigualável pela vida e uma capacidade incomparável de fazer qualquer pessoa se sentir vista e ouvida. Ele é um artista de uma geração, e seu legado e sua música vão durar para sempre", disse Paul.

A fundação anunciada pela família, batizada de Dr. Oliver Tree's Extremely Epic Art Grant for Baby Geniuses, foi planejada pelo próprio cantor ainda em vida para financiar novos talentos. Em nota divulgada após o acidente, os parentes o descreveram como "mais do que um músico" e "um verdadeiro artista em todos os sentidos da palavra".

Um legado inconfundível

Dono de uma estética visual singular, que o tornava impossível de confundir, Oliver Tree Nickell construiu uma carreira marcada por faixas como "Life Goes On", uma das que melhor traduzem seu equilíbrio entre ironia e emoção.



"Miss You (With Robin Schulz)" foi outro marco da sua trajetória, ajudando a levar o nome do artista para muito além do público que o acompanhava desde o início.



Em "Alien Boy", ele deu forma ao personagem excêntrico que virou sua assinatura, misturando deboche e vulnerabilidade.



Já "Hurt" revelou o lado mais melódico e sensível da sua produção. O trabalho mais recente do cantor, o álbum "Love You Madly Hate You Badly" (2026), havia chegado ao público no começo do ano.



Desde a morte de Oliver, as homenagens não pararam. Post Malone dedicou um show em Toronto ao amigo, e artistas como Kid Cudi, KSI, Bebe Rexha e Melanie Martinez, ex-namorada do cantor, também usaram suas redes e palcos para lembrá-lo.