Em tempos de tensão política, Mick Jagger quer que o palco seja um refúgio. Em conversa no podcast "The Interview", do The New York Times, o vocalista dos Rolling Stones afirmou que prefere uma abordagem neutra diante da plateia, em vez de transformar o show em ato político.
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"Meu trabalho no mundo da música ao vivo é fazer com que essas pessoas que vêm tenham o melhor momento possível. E, por duas horas ou o que quer que seja, esqueçam todos os seus problemas e os problemas do mundo", disse Jagger, de 82 anos.

Ele comparou a experiência a assistir a um evento esportivo, em que o público apenas torce pelo resultado.

Segundo o cantor, cada público reage de um jeito, alguns mais agitados, outros mais tranquilos, mas o objetivo é sempre garantir que "estejam se divertindo" e não "dar um sermão neles".

Isso não significa que Jagger rejeite totalmente o tema. Ao comentar o recém-lançado "Foreign Tongues", 25º álbum de estúdio da banda, ele contou que passou a incluir um pouco mais de comentário social na música, como mostramos quando os Rolling Stones lançaram o disco.

"Também peguei o hábito de fazer músicas sobre relacionamentos pessoais e então jogar um verso sobre política ali no meio", explicou. Ainda assim, ele é categórico ao dizer que "ninguém quer ouvir uma música inteira sobre política ou comentário social de qualquer tipo".

O vocalista citou a faixa "Rough and Twisted", de "Foreign Tongues", cujos versos falam de conspiração e tirania, como "apenas um fluxo de consciência".



Do outro lado está Bruce Springsteen, que assumiu postura combativa. O músico dedicou sua última turnê, a Land of Hope & Dreams, e o single "Streets of Minneapolis" a críticas ao governo de Donald Trump, além de se apresentar em atos do movimento No Kings.



"Existe o clássico 'bem, de que lado você está?'. Você precisa tomar sua posição e seguir suas crenças", disse Springsteen em painel no Tribeca Festival, em 13 de junho, onde recebeu o prêmio Harry Belafonte Voices for Social Justice. "Na melhor das hipóteses, sou um cidadão preocupado. Canto minhas músicas e torço pelo melhor."