Toda vez que o Rock in Rio anuncia sua grade de atrações, um debate já nasce junto nas redes sociais: cadê o rock? A resposta desta vez veio diretamente de quem está no comando. Roberta Medina, vice-presidente da Rock World, empresa organizadora do festival, não desconversou ao ser questionada pelo G1 sobre o assunto durante a edição de Lisboa.

"Os roqueiros falam isso. O povo do pop não reclama", disse a executiva, com objetividade. Para ela, o comportamento do público de rock nas redes sociais não se traduz em bilheteria. "Os roqueiros são barulhentos. Então quando não tem o rock, eles vão nas redes, fazem barulho, mas o primeiro dia que esgota é o pop."

A afirmação resume bem a tensão que cerca o festival há anos: entre a identidade que deu nome ao evento e o que, na prática, move ingressos.

Ainda assim, Medina não nega o lugar que o rock ocupa na alma do projeto. "A gente ama o rock. Tá na nossa essência, tá na nossa atitude. Mas o que a gente precisa construir são dias que funcionam para essas milhares de pessoas."

Para ela, a saída é equilibrar a identidade com o alcance. "A gente é rock, é pop. Aqui a gente adotou o 'all in Rio', porque é isso, é tudo. Sempre foi. Desde 1985, sempre foi sobre todos os estilos. Nunca foi só rock."

Medina também abriu o jogo sobre os planos de expansão do Rock in Rio. Quem esperava ver o festival em novos países vai ter que esperar por ora, a aposta é outra. "A gente vai crescer trazendo o mercado europeu para Portugal", afirmou a executiva, explicando que levar a estrutura do Rock in Rio para outras praças demandaria um esforço desproporcional.