Existe um álbum para cada fase da vida. Mas há um específico - aquele que tocava no repeat durante os anos de ensino médio, que você ouvia no ônibus, no quarto com a porta fechada ou emprestava para o amigo numa fita K7 ou num CD gravado. Cada geração tem o seu. E o curioso é que, quando esse disco toca hoje, ele não apenas soa: ele transporta.

Geração 70: Pink Floyd - "The Wall" (1979)

Nenhum álbum capturou a alienação adolescente dos anos 70 com tanta precisão quanto "The Wall". A história de Roger Waters sobre isolamento, traumas e barreiras emocionais encontrou eco imediato em jovens que sentiam o peso das expectativas da escola e de um mundo que parecia não ouvi-los. "Another Brick In The Wall, Pt. 2" virou um hino de resistência escolar que cruzou gerações, e o disco de Pink Floyd vendeu mais de 30 milhões de cópias.



Geração 80: Guns N' Roses - "Appetite for Destruction" (1987)

Raiva, volume e atitude. O álbum de estreia do Guns N' Roses chegou como um soco no estômago, numa época em que o hard rock estava cheio de glitter e o metal perdia suas arestas. "Welcome To The Jungle", "Sweet Child O' Mine" e "Paradise City" viraram trilha obrigatória de qualquer adolescente que levava música a sério. No Brasil, havia ainda a trilha nacional: Legião Urbana e o álbum Dois (1986), com "Tempo Perdido" tornando-se o grito de toda uma geração.



Geração 90: Nirvana - "Nevermind" (1991)

Quando Kurt Cobain gritou "Here we are now, entertain us" em "Smells Like Teen Spirit", ele não estava apenas lançando uma música, ele estava nomeando um sentimento coletivo que toda uma geração carregava sem saber. Nevermind, do Nirvana, enterrou o hair metal e inaugurou o grunge como o idioma oficial da angústia adolescente dos anos 90. "Come As You Are", "Lithium" e "In Bloom" completavam o disco que todo mundo tinha na mochila.



Geração 2000: Linkin Park - "Hybrid Theory" (2000)

Nu-metal encontrou hip-hop e o resultado foi o álbum mais vendido da década. "Hybrid Theory", do Linkin Park, falava de dor, frustração e vontade de romper com tudo - exatamente o que um adolescente dos anos 2000 precisava ouvir. "In The End", "Crawling" e "One Step Closer" eram a trilha sonora das lan houses, do MSN e dos cadernos cheios de letras copiadas à mão. Mais de 27 milhões de cópias vendidas.



Geração 2010: Arctic Monkeys - "AM" (2013)

Indie rock com atitude e letras afiadas. O quinto álbum do Arctic Monkeys se tornou o disco perfeito para uma geração que descobria música pelo Spotify e se achava inteligente demais para o mainstream. "Do I Wanna Know?", "R U Mine?" e "Why'd You Only Call Me When You're High?" embalaram festas, flertos tardios e aquela fase em que todo mundo se achava cinéfilo e leitor de Bukowski.



Geração 2020: Olivia Rodrigo - "SOUR" (2021)

A geração que cresceu com o TikTok encontrou seu espelho sonoro em Olivia Rodrigo. "SOUR" chegou em maio de 2021 e explodiu porque dizia, com brutalidade e melodia ao mesmo tempo, tudo o que é difícil de falar quando se tem 17 anos: raiva, traição, insegurança e aquela dor enorme que só você consegue sentir. "drivers license", "Good 4 u" e "Brutal" viraram trilha sonora de uma adolescência vivida meio online, meio offline, pós-pandemia.



E o seu álbum do ensino médio, qual foi?

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