Nova análise questiona versão oficial e sugere hipótese de homicídio em morte de Kurt Cobain
De acordo com o Daily Mail, uma equipe diz ter evidências de uma montagem de cenário e uma suposta encenação de overdose antes do tiro fatal que tirou a vida do frontman do Nirvana
A morte de Kurt Cobain, vocalista do Nirvana, voltou a ser questionada após uma nova análise feita por uma equipe independente formada por cientistas forenses. As informações são do Daily Mail. (Foto: Reprodução YouTube)
Cobain morreu no dia 5 de abril de 1994, aos 27 anos, em sua casa em Seattle, nos EUA. Na época, o Instituto Médico Legal do Condado de King concluiu que se tratava de suicídio por ferimento de espingarda, atribuído a uma Remington Modelo 11, calibre 20.
Segundo o Daily Mail, a "nova" equipe revisitou documentos de autópsia e materiais ligados à cena, contando com Brian Burnett, especialista com experiência em casos que envolvem overdose seguida de trauma por arma de fogo.
A pesquisadora independente Michelle Wilkins, que trabalhou com o grupo, afirmou ao periódico que, após três dias de avaliação, Burnett teria dito: 'Isso foi um homicídio. Nós vamos fazer algo sobre isso".
O estudo, descrito como revisado por pares e aceito para publicação no International Journal of Forensic Science, lista dez pontos que, de acordo com os autores, sugerem um cenário em que Cobain teria sido confrontado por um ou mais agressores, sofrido uma overdose de heroína para ser incapacitado e, depois, levado ao disparo fatal, com encenação posterior incluindo arma colocada em seus braços e uma nota de suicídio falsificada.
Wilkins declarou: “Há coisas na autópsia que fazem pensar: bom, espera aí, essa pessoa não morreu muito rapidamente por causa de um disparo de arma de fogo”, e também: “A necrose do cérebro e do fígado acontece em casos de overdose. Isso não acontece em uma morte por tiro de espingarda.”
Nirvana A espingarda Remington Modelo 11 calibre 20 encontrada na cena, segurada pelo de (Foto: Via Daily Mail)
A reportagem cita observações do novo relatório sobre a disposição dos itens no local, a posição das mãos e a ausência de marcas esperadas em um caso de disparo de espingarda.
Entre os pontos mencionados estão a descrição, na autópsia, de um papel encontrado no bolso do jeans com uma anotação relacionada à munição, além de comentários de Wilkins sobre a impressão de encenação: “Para mim, parece que alguém encenou uma cena, como num filme, e quis que você tivesse absoluta certeza de que aquilo foi um suicídio. ‘O recibo da arma está no bolso dele. O recibo das munições está no bolso dele. As munições estão alinhadas aos pés dele".
Outro aspecto abordado foi o kit de heroína encontrado a alguns metros, com seringas tampadas e outros itens organizados. Wilkins questionou essa ordem em meio a um quadro de morte: “Era para acreditarmos que ele recolocou as tampas nas agulhas e deixou tudo em ordem depois de se injetar três vezes, porque é isso que alguém faz enquanto está morrendo”, e concluiu: “Suicídios são bagunçados, e esta foi uma cena muito limpa.”
O texto também aponta que o relatório usa achados da autópsia — como fluido nos pulmões, sangramento nos olhos e danos em cérebro e fígado — para sustentar a hipótese de privação de oxigênio associada a overdose, além de afirmar que o documento original não teria citado sangue nas vias aéreas, algo que, segundo a análise apresentada, seria esperado em muitos casos de tiro na cabeça.
A nota atribuída a Cobain também foi alvo de escrutínio. Wilkins afirmou: "A parte de cima do bilhete foi escrita por Kurt”, acrescentou. “Não há nada ali sobre suicídio. Basicamente, é só ele falando sobre deixar a banda.” Ela disse ainda: “Depois, há quatro linhas na parte de baixo. Se você observar o bilhete, dá para ver que as últimas quatro linhas estão escritas de forma diferente… a letra é um pouco diferente. É maior, é… parece mais rabiscada.”
Sobre a resposta das autoridades, um porta-voz do Instituto Médico Legal do Condado de King declarou ao Daily Mail: “O Escritório do Médico-Legista do Condado de King trabalhou em conjunto com a agência local de aplicação da lei, realizou uma autópsia completa e seguiu todos os seus procedimentos para chegar à conclusão de que a causa da morte foi suicídio. Nosso escritório está sempre aberto a revisar suas conclusões caso novas evidências venham à tona, mas até o momento não vimos nada que justifique a reabertura deste caso ou a revisão de nossa determinação anterior sobre a morte.”
Já o Departamento de Polícia de Seattle informou que não vai reabrir o caso e reforçou: “Nosso detetive concluiu que ele morreu por suicídio, e esta continua sendo a posição adotada por este departamento.”
Wilkins afirmou que o objetivo do grupo não é buscar prisões, mas ampliar a transparência e reavaliar o material existente: '“Nós não estávamos dizendo: prendam pessoas amanhã”, completou. “Estávamos dizendo: vocês têm essas… as evidências extras que nós não temos.”
Ela também mencionou o impacto do caso em suicídios por imitação: “Em 2022, uma criança tirou a própria vida porque acreditava que Cobain tinha feito isso. Os suicídios por imitação nunca pararam.”
Segundo Wilkins, os pedidos para reabrir a investigação foram recusados, e ela relatou: “Ambos responderam: ‘Não'. Tipo, 'nem sequer estamos olhando as suas provas'”. Por fim, resumiu o que espera das autoridades: “Se estivermos errados, apenas provem isso para nós. Foi só isso que pedimos que fizessem.”