Lá vem caboclo, herdeiro de zumbi A nação está aqui não se curva ao poder Escute, nossa gente vem da lama Resistência que inflama Quando toca o xequerê Casa de gueto! casa de gueto! Nossa voz que não se cala Batuque sem medo, por direito É o toque das alfaias Eu também sou caranguejo À beira do igarapé Gabiru trabalha cedo, Cata o lixo da maré
"manamauê" maracatu Saluba, ê nanã yabá A vida parecida com as águas Não é doce como o rio Nem salgada feito o mar
A margem já subiu para a cidade Entre tronco e cipó Rebeldia dá um nó... pensamento popular Gramacho encontrou capibaribe Num mundo livre quero ver você cantar Freire, ensine um país analfabeto Que não entendeu o manifesto Da consciência social Chico, manguebeat "tá" na rua Caxias comprou a luta e transforma em carnaval Respeite os tambores do meu ilê Respeite a cadência do meu ganzá À frente, o estandarte do meu povo Pra erguer um tempo novo Que nos faz acreditar
Eu sou do mangue, filho da periferia Sobre uma palafita grande rio anunciou Ponta de lança é daruê Dobra o gonguê... a revolução já começou!